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21 de set de 2013

Pesquisador diz que, apesar do crescimento, igreja evangélica se tornará relevante no Brasil quando “aprender a dialogar com a sociedade”

 

O pesquisador Johnny Bernardo, colunista deste portal, concedeu uma entrevista recentemente falando sobre as mudanças no cenário evangélico nacional e as implicações disso na sociedade brasileira.

Na entrevista ao jornal Nosso Tempo, do Rio de Janeiro, Bernardo afirmou que o crescimento do movimento evangélico brasileiro é, em parte, movido por suas características de independência, competitividade e superficialidade.

“O Censo 2010 do IBGE aponta para 42,5 milhões o número de evangélicos brasileiros, mas não leva em conta o fato de que não há, pelo menos nas igrejas neopentecostais, uma consciência definida do que é ser Igreja, sendo comum frequentadores orbitarem entorno de terreiros de umbanda e templos da Universal, por exemplo. É um problema não identificado pelo IBGE”, pondera o pesquisador.

Segundo Johnny, “a sociedade, de modo geral, é afetada pelo crescimento das igrejas evangélicas brasileiras, pelo o fato de que as opções de culto ou religiosidade são consideravelmente maiores do que, por exemplo, na primeira metade do século XX, quando o catolicismo romano reinava absoluto”.

Esse crescimento numérico de fiéis que professam a fé evangélica é movido, em parte, pelo uso das mídias de massa nas últimas décadas, como rádio e televisão, e mais recentemente a internet. Para Johnny, o uso dessas mídias, “ao mesmo tempo em que contribui com a divulgação da Palavra”, expõe uma certa falta de objetivo, pois “as programações evangélicas aos poucos perdem seu sentido original”: “Os recursos audiovisuais têm sido usados como mecanismos de comercialização da fé, sem compromisso pastoral. Tornou, digamos, um método adaptável por qualquer organização religiosa”, lamenta.

De acordo com Johnny Bernardo, “nas últimas décadas a igreja evangélica brasileira tem se caracterizado como uma Igreja de templos, de liturgias”, o que estaria tornando as denominações em corporações voltadas pra si mesmas: “Em outras palavras, ao invés de se fazer presente na sociedade, a Igreja tem se retraído cada vez mais. Tal nos leva a refletir sobre que tipo de crescimento evangélico a mídia se refere”, questiona.

“A Igreja somente será relevante na medida em que aprender a dialogar com os vários segmentos da sociedade, compartilhar seus problemas e frustrações”, diz Johnny Bernardo, que enxerga nesse ponto, um fator de cisão entre as diferentes linhas teológicas: “Há de se desenvolver, nos próximos anos, uma significativa diferenciação entre protestantes históricos e pentecostais. A tendência é de que o protestantismo histórico se torne cada vez mais liberal, aberto a novas tendências e discussões da sociedade; diferente do pentecostalismo, que será caracterizado como um movimento conservador, tradicionalista, fundamentalista. É uma inversão, dado o fato de que o protestantismo histórico, nos primeiros 25 anos do século XX, foi conhecido como um movimento extremamente conservador, fundamentalista”, pontua.

Johnny Bernardo cita como argumento para seu prognóstico as mudanças sofridas por duas importantes denominações pentecostais ao longo dos últimos anos: “A Igreja Pentecostal Deus é Amor é um exemplo de que, com uma possível ausência de seu líder máximo e fundador, David Miranda, deverá caminhar para novas mudanças, como abertura aos meios de comunicação, diminuição da rigidez doutrinária. Há algumas mudanças em processo, como a veiculação da imagem do fundador nas fachadas das filiais, e em meios de comunicação. Recentemente a Internet foi liberada aos membros, e já há uma preocupação com a formação acadêmica (teológica e secular), por parte de alguns líderes e membros da IPDA. É uma tendência comum às igrejas pentecostais, como a Assembleia de Deus que, com a chegada da televisão ao Brasil, a proibiu aos membros, mas que aos poucos liberou o acesso ao recurso. Os costumes também passam por um processo de liberalização, embora com certa resistência localizada”, enumera.

Uma eventual unidade entre as diferentes linhas de pensamento e denominações evangélicas no Brasil é vista como uma situação utópica pelo pesquisador: “As diferenças doutrinárias, de costumes, de organização etc., são elementos que dificultam uma possível aproximação entre as várias vertentes evangélicas brasileiras, notadamente entre históricas e pentecostais em relação as neopentecostais, ou mesmo entre igrejas protestantes históricas e pentecostais”, diz Johnny Bernardo.

Apesar disso, há um fator que pode promover essa união, segundo ele: “Observa-se uma contínua aproximação no que se refere aos desafios da pós-modernidade, como as políticas homossexuais que procuram restringir a liberdade de expressão evangélica, com projetos como a PLC 122/2006, além de políticas ligadas à legalização do aborto, da prostituição e do uso de drogas, como a maconha, por exemplo. A tendência é de uma possível articulação religiosa, em um âmbito nacional e interdenominacional, e que envolverá representantes evangélicos e católicos. É o único caminho dado à expansão ideológica e de influência de grupos de defesa do homossexualismo, nos três poderes”, conclui.

Por Tiago Chagas, para o Gospel+

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